O som do antigo carro do senhor Antonio, meu vizinho, invadiu o quarto rasgando meu sono como um fino papel de presente de natal. Naquele ano eu havia decidido surpreender o Papai Noel bem no momento em que ele estivesse deixando meu presente, mas, como todos os anos anteriores, fracassei em me manter acordado. Antes disso, havia dito aos meus pais que iria me recolher mais cedo e aproveitei para "pegar emprestado" a câmera fotográfica que vi minha mãe guardar um dia antes por trás da segunda prateleira de perfumes em seu guarda-roupas.
-Uma selfie com Papai Noel! - Pensei alto enquanto deixava escapar um sorriso quase maléfico, como o dos vilões de filmes de ação quando planejam um ataque mirabolante.
Olhei para o relógio e me enchi de esperanças ao ver que ainda eram duas da manhã. Pensei que o Brasil não seria o primeiro país a receber sua visita, pois sempre imaginei que ele começava a distribuir os presentes pelos países mais pobres. Aqueles com as crianças mais carentes. Eu não era rico, mas podia esperar um pouco mais na fila e dar preferência aos meninos e meninas que muito provavelmente estavam passando fome na noite dos banquetes. Ainda havia, a final de contas uma chance de encontrá-lo.
Pac! Pac!
Um barulho estranho pareceu vir da sala.
Só podia ser ele.
Me levantei bem devagar para não assustá-lo. Todo mundo sabe que o piloto do trenó é muito tímido e sempre acaba dando um jeito de escapar de nossos olhos.
Coloquei meu pé no chão e senti através de minhas meias a baixa temperatura das cerâmicas na madrugada.
Olhei para o quarto dos meus pais e conferi se a porta estava fechada.
- Está sim, é ele. - Sussurrei para mim mesmo, mordendo os lábios de felicidade.
Minha alegria logo se foi quando percebi que a câmera não estava comigo. Eu a tinha deixado na cama, bem debaixo do travesseiro. Meu pai sempre dizia que não registrar o momento é abrir a possibilidade de esquecê-lo. Eu definitivamente não queria dar chances para o esquecimento.Voltei imediatamente para o quarto em busca da máquina e enquanto caminhava pensava na legenda da foto para o facebook. Talvez "Selfie com meu grande amigo Noel" ou "Visita do meu brother Papai Noel". O fato era que qualquer coisa que estivesse escrito no post teria muitas curtidas. Talvez até vários compartilhamentos.
Coloquei a mão por debaixo do travesseiro e pude sentir quão macia estava minha cama. O lençol novo era mesmo muito agradável.
zzzzzZZZzzzZZ.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
Vida
- Toma!
- O que é?
- Vida!
- O que faço com ela?
- Aproveita.
- Como?
- Não perguntando demais.
- O que é?
- Vida!
- O que faço com ela?
- Aproveita.
- Como?
- Não perguntando demais.
Meu luar
Era uma lua cheia.
Rua cheia.
Uma lua.
Nada meia.
E nem parece.
Toda nua.
Maré que cresce.
Uma grande lua cheia.
Que incendeia.
Alma crua.
Era a tua.
Sangue e veia.
Velha prece.
Me inclua.
Pois é uma lua cheia.
domingo, 14 de dezembro de 2014
O inferno
Nem um dos filmes de terror já feitos por Hollywood coloca tanto medo nas pessoas quanto o mito de que um grande lago de fogo aguarda, após a morte, a maioria dos homens e mulheres que não se comportaram de acordo com os padrões de determinadas religiões. A mais conhecida de todas é com certeza a cristã. Tendo provavelmente origens gregas e tão utilizado na idade média para arrecadar dinheiro para a igreja católica, o conto do inferno foi tomando cada vez mais força durante o tempo até chegar nos dias atuais quando ainda pode reger a vida de milhares de pessoas.
O inferno, segundo o conto cristão, é um lugar para onde os que não creram em Jesus de Nazaré vão quando sua vida chega ao fim. Lá existe um grande lago de fogo e enxofre e nas palavras atribuídas ao próprio Jesus "Há dor e ranger de dentes". E não para por ai não. Esse sofrimento é eterno. Ao que parece sua pele não vai ser consumida nem seu coração vai parar, mas a dor continuará a machucar para todo o sempre. É realmente de arrepiar, apesar de ainda não entender ao certo como o fogo pode não arder na sua pele e ainda assim fazer com que as células nervosas responsáveis pela dor sejam ativadas. Mas não se pode perguntar isso aos líderes cristãos, pois eles responderão: "Ele é Deus, pode fazer tudo!"
O fato é que segundo a ultima pesquisa divulgada pela BBC existem mais de três bilhões de pessoas que não seguem a fé cristã. Você leu exatamente isso TRÊS BILHÕES de pessoas que segundo a crença bíblica irão arder no lago de fogo e enxofre para sempre. E isso porque estamos falando apenas dessa geração, se pensarmos em todas as pessoas que já vieram ao mundo e o deixaram sem professar a fé triplicaremos facilmente esse número, contudo todos parecem muito à vontade em afirmar que tal doutrina é verdadeira e ainda que reflete todo o amor de Deus pela raça humana.
Quase ia me esquecendo de que para alguns nós ainda temos o livre direito de escolha, ou "livre arbítrio". É mais ou menos isso: "Você pode crer em mim ou passar a eternidade fritando num lago de fogo. Escolhe ai!" Quando questionado sobre esses fatos, um amigo me respondeu da seguinte maneira: "Não quero saber dos que arderão em chamas, o importante é que eu não estarei lá, pois o Senhor me salvou". Quase fico emocionado com tanto amor pelo próximo. Mas é exatamente isso que acontece com a religião, pessoas realmente boas são levadas a proferir frases carregadas de egoísmo e maldade como essa.Steven Weinberg definiu bem isso quando disse que "Religião é um insulto à dignidade humana. Com ou sem ela teríamos pessoas boas fazendo o bem e pessoas más fazendo o mal. Mas para pessoas boas fazerem coisas más é necessária a religião".
Prefiro encerrar esse post com uma frase que ouvi de um cientista ateu em um dos documentários sobre religião que assisti. Não me lembro o nome dele, mas fiquei fascinado com sua resposta mediante a pergunta se não seria mais vantagem acreditar em deus, pois se ele morresse sem crer e tudo fosse verdade ele iria ser torturado eternamente. Olhando firmemente para os olhos do entrevistador, aquele homem respondeu quase que imortal: "Se eu estivesse no céu sabendo que ao mesmo tempo bilhões de pessoas estavam em sofrimento extremo, esse para mim seria o inferno".
O inferno, segundo o conto cristão, é um lugar para onde os que não creram em Jesus de Nazaré vão quando sua vida chega ao fim. Lá existe um grande lago de fogo e enxofre e nas palavras atribuídas ao próprio Jesus "Há dor e ranger de dentes". E não para por ai não. Esse sofrimento é eterno. Ao que parece sua pele não vai ser consumida nem seu coração vai parar, mas a dor continuará a machucar para todo o sempre. É realmente de arrepiar, apesar de ainda não entender ao certo como o fogo pode não arder na sua pele e ainda assim fazer com que as células nervosas responsáveis pela dor sejam ativadas. Mas não se pode perguntar isso aos líderes cristãos, pois eles responderão: "Ele é Deus, pode fazer tudo!"
O fato é que segundo a ultima pesquisa divulgada pela BBC existem mais de três bilhões de pessoas que não seguem a fé cristã. Você leu exatamente isso TRÊS BILHÕES de pessoas que segundo a crença bíblica irão arder no lago de fogo e enxofre para sempre. E isso porque estamos falando apenas dessa geração, se pensarmos em todas as pessoas que já vieram ao mundo e o deixaram sem professar a fé triplicaremos facilmente esse número, contudo todos parecem muito à vontade em afirmar que tal doutrina é verdadeira e ainda que reflete todo o amor de Deus pela raça humana.
Quase ia me esquecendo de que para alguns nós ainda temos o livre direito de escolha, ou "livre arbítrio". É mais ou menos isso: "Você pode crer em mim ou passar a eternidade fritando num lago de fogo. Escolhe ai!" Quando questionado sobre esses fatos, um amigo me respondeu da seguinte maneira: "Não quero saber dos que arderão em chamas, o importante é que eu não estarei lá, pois o Senhor me salvou". Quase fico emocionado com tanto amor pelo próximo. Mas é exatamente isso que acontece com a religião, pessoas realmente boas são levadas a proferir frases carregadas de egoísmo e maldade como essa.Steven Weinberg definiu bem isso quando disse que "Religião é um insulto à dignidade humana. Com ou sem ela teríamos pessoas boas fazendo o bem e pessoas más fazendo o mal. Mas para pessoas boas fazerem coisas más é necessária a religião".
Prefiro encerrar esse post com uma frase que ouvi de um cientista ateu em um dos documentários sobre religião que assisti. Não me lembro o nome dele, mas fiquei fascinado com sua resposta mediante a pergunta se não seria mais vantagem acreditar em deus, pois se ele morresse sem crer e tudo fosse verdade ele iria ser torturado eternamente. Olhando firmemente para os olhos do entrevistador, aquele homem respondeu quase que imortal: "Se eu estivesse no céu sabendo que ao mesmo tempo bilhões de pessoas estavam em sofrimento extremo, esse para mim seria o inferno".
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
A filosofia está morta?
Tomar café da manhã, ir para o trabalho, voltar da empresa programando cada segundo a ser aproveitado das abençoadas horas que estamos em casa, os problemas de relacionamento na família e com a sociedade. Todas essas coisas parecem tomar conta de nosso dia a ponto de não nos deixar refletir criticamente sobre quase nada. As maravilhosas perguntas filosóficas que tanto fizeram evoluir psicologicamente a humanidade estão ficando para trás, pois a maioria das pessoas infelizmente não vê razão para, como diria uma amiga, se interrogar com o que muitas vezes não pode ser respondido. O fato não observado ai é que muito provavelmente não há resposta justamente porque só um número muito pequeno de pessoas se move a pensar sobre o assunto.
Indagações sobre o propósito da vida e do universo, se é que há um propósito, que já vinham sendo esquecidas mediante ao grande crescimento da religião, agora parecem ter sido abandonadas quase que totalmente. Nos comportamos (O verbo está na primeira pessoa do plural por se referir a humanidade) no maior estilo idade média como se já soubéssemos de tudo e por vezes até nos irritamos com as grandes mentes questionadoras que conseguem alcançar um horizonte filosófico que os liberta da gaiola ideológica da qual infelizmente a grande maioria das mentes está presa. Como no conto das rãs não conseguem acreditar no mundo lá fora e estão dispostas até a matar por isso.
Não julgo ter exagerado quando por vezes comparei o mundo atual com uma estrada do tempo em que a caminhada leva a uma era pré-iluminismo. Os estudantes incentivados a desafiar professores em sala de aula para defender o criacionismo são um exemplo claro do forte regredir da sociedade moderna no que se refere a credibilidade da ciência. Acabei de me lembrar que um dos filmes mais comentados nas redes sociais este ano foi "Deus não está morto", que enreda exatamente o que citei anteriormente neste parágrafo.
As centenas de faculdades particulares que se aglomeram em cada esquina com seus panfleteiros e disputam minuto a minuto os horários de publicidade na televisão não parecem estar preocupadas com o crescimento intelectual de seus alunos mais do que com lucrar grandes quantias no menor tempo de formação possível. Salas inteiras repletas de papagaios repetidores recebem diplomas todo semestre para enfeitar suas paredes.
Contudo, mesmo em meio as ameaças das fogueiras ideológicas que hoje tentam fritar o cérebro de nossos jovens e crianças, vozes filosóficas e críticas se levantam para lutar o combate da razão e do pensamento. Enfrentando os grandes dragões da ignorância e do medo, se fazem ouvir solitárias contra as multidões de engaiolados reunidos em seus galpões. Quem dera pelo menos um desses observasse o que escrevo e viesse à luz do entendimento que lhe daria enfim a liberdade.
Indagações sobre o propósito da vida e do universo, se é que há um propósito, que já vinham sendo esquecidas mediante ao grande crescimento da religião, agora parecem ter sido abandonadas quase que totalmente. Nos comportamos (O verbo está na primeira pessoa do plural por se referir a humanidade) no maior estilo idade média como se já soubéssemos de tudo e por vezes até nos irritamos com as grandes mentes questionadoras que conseguem alcançar um horizonte filosófico que os liberta da gaiola ideológica da qual infelizmente a grande maioria das mentes está presa. Como no conto das rãs não conseguem acreditar no mundo lá fora e estão dispostas até a matar por isso.
Não julgo ter exagerado quando por vezes comparei o mundo atual com uma estrada do tempo em que a caminhada leva a uma era pré-iluminismo. Os estudantes incentivados a desafiar professores em sala de aula para defender o criacionismo são um exemplo claro do forte regredir da sociedade moderna no que se refere a credibilidade da ciência. Acabei de me lembrar que um dos filmes mais comentados nas redes sociais este ano foi "Deus não está morto", que enreda exatamente o que citei anteriormente neste parágrafo.
As centenas de faculdades particulares que se aglomeram em cada esquina com seus panfleteiros e disputam minuto a minuto os horários de publicidade na televisão não parecem estar preocupadas com o crescimento intelectual de seus alunos mais do que com lucrar grandes quantias no menor tempo de formação possível. Salas inteiras repletas de papagaios repetidores recebem diplomas todo semestre para enfeitar suas paredes.
Contudo, mesmo em meio as ameaças das fogueiras ideológicas que hoje tentam fritar o cérebro de nossos jovens e crianças, vozes filosóficas e críticas se levantam para lutar o combate da razão e do pensamento. Enfrentando os grandes dragões da ignorância e do medo, se fazem ouvir solitárias contra as multidões de engaiolados reunidos em seus galpões. Quem dera pelo menos um desses observasse o que escrevo e viesse à luz do entendimento que lhe daria enfim a liberdade.
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terça-feira, 9 de dezembro de 2014
Estrelas
Algumas estrelas estão caindo do céu.
Não são pedras em uma rota aleatória que invadem nosso ar.
São verdadeiros astros carentes de um olhar.
Que impelidos pela tristeza de um esquecimento cruel.
Se jogam para morte abandonando o seu lar.
Mas diga às estrelas que as olho.
Repita para elas minha poesia.
Salve as belas que se jogam deixando o leite da via.
Diga às estrelas que as olho.
E entendo a agonia.
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segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
O NOSSO RITMO
No eterno silêncio do universo.
Onde as ondas sonoras não podem se propagar,
Um estranho som eu ouvi.
Era o som de uma espécie que acabara de evoluir.
Era o chocalho do maracá.
Era o cantar, o prolongar de um só verso.
Eu que era só silêncio, na onda estava imerso.
Então percebi que o mundo parecia acompanhar.
Rodopiou em uma ciranda e segurou para não cair.
Quem desde o inicio poderia garantir
Que os micro seres desta terra poderiam ritmar
Em um cosmos controverso?
E eu que andei disperso
Parei para observar
Que a humanidade canta para o infinito sentir.
domingo, 7 de dezembro de 2014
O livro proibido de Patterson
Quando ouvimos ou lemos alguma coisa sobre uma nova ordem mundial logo nos vem a cabeça as teorias da conspiração tão disseminadas nos últimos dez anos, mas logo depois somos atraídos pelo título do livro "Bruxos e Bruxas" e você se pergunta: mas do que afinal se trata isso? Toda essa curiosidade aguçada pela capa com certeza levará a maioria dos leitores e segurar e foliar um pouco esse livro.
Ao abrir Bruxos e bruxas o leitor logo será ambientado com o mundo hostil em que vivem os personagens principais por um bilhete não identificado que nos avisa sobre a possibilidade de uma realidade caótica vivenciada naquele momento pelos dois irmãos Allgood. Se você chegou até essa página (e olhe que ainda não chegou nem o prólogo) vai ser muito difícil de sair da livraria sem levar para casa um exemplar, e sabendo que se trata de uma serie, vai ficar ainda mais difícil não comprar depois todos os livros que se seguem.
Wisteria e Whitford Allgood protagonizam a saga e tudo começa quando sua casa é invadida por agentes de um governo totalitário, que acaba de tomar o poder e que mais parece ser uma teocracia onde o deus adorado é uma figura misteriosa que atende pela alcunha de "o único que é o único". Acusados de bruxaria e sofrendo com os piores tormentos que alguém pode imaginar, mas sempre com muito bom humor e sarcasmo os heróis da trama de Patterson são poderosos não só em sua magia, mas também em cativar profundamente os leitores.
Escolhido pelos adolescentes norte-americanos como o autor do ano em 2010 James escreve de uma forma a agradar o público de qualquer idade. Há ainda rumores, que muitos afirmam veementemente como confirmados, de que a obra terá uma versão para telonas. Os fãs de bruxos e bruxas aguardam ansiosos e há muita especulação sobre os atores que representarão os protagonistas. No site oficial do livro no Brasil http://www.livrobruxosebruxas.com.br/ foi anunciado que os direitos do livro já foram vendidos para o cinema. Só nos resta sentar e esperar por essa que, se fiel ao livro, tem tudo para ser uma campeã de bilheteria. Se pensarmos que os fãs de filmes como Herry Potter, que chegaram ao final de suas sagas estão ansiosos para a chegada de uma nova série que aborda o tema da bruxaria, então o sucesso é quase certo.
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sábado, 6 de dezembro de 2014
Pálido ponto azul
"Olhem de novo para esse ponto. Isso é a nossa casa, isso somos nós. Nele, todos a quem ama, todos a quem conhece, qualquer um dos que escutamos falar, cada ser humano que existiu, viveu a sua vida aqui. O agregado da nossa alegria e nosso sofrimento, milhares de religiões autênticas, ideologias e doutrinas econômicas, cada caçador e colhedor, cada herói e covarde, cada criador e destruidor de civilização, cada rei e camponês, cada casal de namorados, cada mãe e pai, criança cheia de esperança, inventor e explorador, cada mestre de ética, cada político corrupto, cada superestrela, cada líder supremo, cada santo e pecador na história da nossa espécie viveu aí, num grão de pó suspenso num raio de sol.
A Terra é um cenário muito pequeno numa vasta arena cósmica. Pensai nos rios de sangue derramados por todos aqueles generais e imperadores, para que, na sua glória e triunfo, vieram eles ser amos momentâneos duma fração desse ponto. Pensai nas crueldades sem fim infligidas pelos moradores dum canto deste pixel aos quase indistinguíveis moradores de algum outro canto, quão frequentes as suas incompreensões, quão ávidos de se matar uns aos outros, quão veementes os seus ódios.
As nossas exageradas atitudes, a nossa suposta auto-importância, a ilusão de termos qualquer posição de privilégio no Universo, são raptadas por este pontinho de luz tênue. O nosso planeta é um grão solitário na grande e envolvente escuridão cósmica. Na nossa obscuridade, em toda esta vastidão, não há indícios de que vá chegar ajuda de algures para nos salvar de nós próprios (...)"
Carl Sagan
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Um lamento pelas "bruxas"
Estava assistindo ontem um apresentador evangélico se lamentar pelo
grande número de cristãos mortos nas perseguições no inicio do
cristianismo e pensei nos milhares de pensadores, e mulheres, e muçulmanos, e judeus, e tantos outros que foram mortos pelos próprios
cristãos outrora perseguidos. As fogueiras de Nero, onde se queimavam os
seguidores de Cristo deram lugar a outras ainda mais numerosas onde
foram queimados intelectuais e as supostas "bruxas". Uma pena não ter
ninguém na televisão para lembrar isso com pesar.
Meu blog: O início.
Minha intenção nos posts que se seguirão serão principalmente fazer com que meu leitor passe a refletir sobre alguns assuntos pouco discutidos em nossas rodas de conversa, principalmente por, a princípio, não haver uma resposta exata para cada um deles. Esses assuntos exigem que paremos para pensar criticamente e a maioria das pessoas não está disposta a isso ou simplesmente acha uma grande perda de tempo. Também vamos falar sobre besteiras completas, esse é o bom da vida afinal, podemos comentar sobre tudo.
Obrigado a todos e espero que gostem .
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